domingo, 8 de novembro de 2015

Picapau no mourão

Década de 70, 1971, auge da ditadura, auge das revolução jovem no Brasil e no mundo. Alguns com metralhadora ou revolveres na mão. Outros tomando LSD ou  cigarros de maconha, com jeans, camisetas. Nas estradas com dedos esticados viajavam, jovens cabeludos, seja  por protagonismo, seja  por imitação. Eu de longos cabelos compridos, por imitação, viajava de carona pelo Brasil, usando  calça "tergal", um tecido que não amassava, que era muito próprio para bailes, pois o vinco estava sempre bom, usada junto com  camisa de  botões com  manga curta. Sai certa vez de carona desde o subúrbio de São Paulo até  Belém, sozinho, no tempo em que era tudo terra entre  Anápolis e a capital do Pará.  Uma efeméride esta viagem. Hoje seria como viajar  de carona para a Guiana Francesa. Num dos 45 dias da viagem eu acordei cedinho, na beira de uma estrada em Goiás,  com o som de um pica-pau bicando  o mourão onde eu dormira à noite. Foi nessa viagem que eu me tornei adulto, imaturo ainda, mas adulto.

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