sexta-feira, 13 de novembro de 2015

DO "DRAGÃO" AO "RATÃO"

Cinco horas da manhã, Rua Maia   Lacerda, Estácio, RJ,  1977, cercado por muitos homens armados, gritando muito, prenderam-me, jogaram-me para dentro de uma caminhonete "veraneio azul", simbolo dos veículos da repressão militar. Eram utilizadas pelos órgão da repressão da ditadura militar  para sequestar  militantes de resistência ao regime. Encapuzado, deitado, fui levado à sede do DOI-CODI, no quartel da PE , Barão de Mesquita. Em dois dias prenderam a mim e mais 19 companheiros e companheiras. Lá fui submetido a 10 dias de tortura fisica, psìquica e espiritual. Iniciaram o processo "científivo" de demolição humana na sala da "CADEIRA DO DRAGÃO". Era  uma poltrona onde sentei nu, amarrado a ela por correias que imobilizavam meu corpo pelo peito, pernas e braços. O inicio da tortura foi inaugurado por porradas no peito. Seguiram-se choques elétricos através  de fios finíssimos e longos que amarraram no pênis, lóbulos das orelhas, dedos dos pés e mão e por aí firam. Prosseguiram na  sala da "GELADEIA" onde se alternavam sons em enormes  alturas, variando   de agudos  a graves. Ao mesmo tempo variando a temperatura gélidas. Etcoetera e tal. Após os dez dias fomos levados para o DPPS, eu demais  companheiras e  companheiras. Lá fui colocado na cela "RATÃO", 1mx1m e bem alto. Dormi atordoado, enojado, quebrado por dentro. Pois foi neste mesmo "Ratão" que comecei a minha recuperação do quartel do "Dragão", com a carinhosa e solida solidariedae com meu  querido  pessoal de minha organização polìtica. Com muita conversa pela radio corredor, pelas greves de fome para resistir ao retorno das torturas e pela anistia ampla geral e irrestrita. 

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